O Dilema do Prisioneiro

Dois criminosos são capturados e ficam presos separadamente para serem interrogados. Se nenhum testemunhar contra o outro, ambos cumprem apenas 6 meses de pena. Se ambos testemunharem contra o outro, cumprem 5 anos de pena. Porém, se um testemunhar e o outro não, aquele que testemunhou não cumpre pena alguma e aquele que permaneceu em silêncio cumpre 10 anos.

Embora o acordo mais benéfico seja o silêncio, o medo tende a fazer com que ambos traiam ao outro.

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Percebe alguma semelhança com a nossa realidade?

Esta pequena-grande metáfora é um problema de Melvin Dresher e Merrill Flood e faz parte da Teoria dos Jogos, que rendeu ao matemático John Nash o Prêmio Nobel da Economia 1994 e que mais tarde inspirou o filme Uma Mente Brilhante.

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Este estudo crava que as escolhas estratégicas e isoladas que fazemos tendem a levar em consideração nossa máxima vantagem, desconsiderando o resultado do(s) outro(s). Se tivéssemos maior capacidade de respeitar as regras silenciosas e invisíveis que sabemos que existem, a colaboração e cooperatividade, curiosamente, trariam resultados melhores do que as estratégias que traçamos isoladamente. É o famoso win-win game.

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A guerra de preços, por exemplo, é uma boa amostra disto. Muitos mercados estão prostituídos justamente por causa deste medo retratado no Dilema do Prisioneiro. As empresas praticam preços baixos para competir e acabam se prejudicando coletivamente (áreas como publicidade, tecnologia e design sofrem muito com isso).

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E não tem sindicato ou associação que resolva. A questão é mindset.

Enquanto o mindset que rege o comportamento das pessoas e do mercado for da era industrial, baseado na lógica da escassez e na competitividade, acredito que isto não muda. Agora, quando o mindset digital for o maestro do mercado, as coisas tendem a melhorar neste sentido.

Eu acredito muito que um dia as pessoas/empresas respeitarão as regras coletivas silenciosas e invisíveis que farão do mercado de trabalho um ambiente mais respeitoso, inspirador e acolhedor. A competitividade, muitas vezes, nivela o mercado por baixo e não por cima, como pensam alguns.

A herança digital é minha maior esperança de trabalhar e viver num mundo cada vez mais interessante.

MC.

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